domingo, 19 de outubro de 2014

Procurando apartamento em Madrid

Das coisas que eu mais gosto e mais odeio fazer na vida: procurar apartamento!

Em 6 anos de Campinas morei em 6 apartamentos diferentes… mobiliado, com amiga, de volta com os pais, sem mobília, mais barato com o Dan e depois com mais espaço com o Dan e a Stelinha… ufa!

Quando encontramos o último apartamento, com mais espaço, achamos que era grande demais, mas não tinha melhor nem mais barato! Optamos por esse e o apê era perfect! Espaço para todos, para os amigos, para as pizzas, pra dar estrela na sala. Eu prometi a mim mesma que só sairia daquele apê se fosse pro meu próprio ou se minha vida mudasse radicalmente.

Eis que a vida mudou radicalmente!

Vendi todos os meus móveis, doei mais de 2/3 das minhas roupas… levei pra Madrid duas malas, dois violões, um Danilo, um baixo do Danilo e um gato. Aprendi a praticar o desapego e que era possível encontrar apartamento mobiliado em Madrid! Ai que bom!

Primeiramente fiquei em apartamentos temporários, até encontrar o nosso definitivo. Não é nada difícil e as opções podem ser muito boas ou muito furadas, assim como um hotel!

Pra quem procura apartamento temporário em Madrid, tem uns sites muito legais que são:

Eu visitei váaarios antes de encontrar algo que cabia, por questões de preço ou de proximidade do trabalho. SEMPRE visite antes, porque muitos apartamentos temporários tem fotos lindíssimas, mas que são dos “modelos” – logo tem alguns buraquinhos em que você pode se enfiar.

Mas daí vem o dilema: onde ficar?

Como sempre meu intuito é “profissionalizar” um pouco as informações, eu sempre digo: escolha um piso com facilidade pra ir ao seu trabalho… “Aah Camila, mas o centro de Madrid é tão legaaaal!” – éee, eu sei, mas é mais caro e com mais chance de ser um apto velho e mofadinho…
Anyway, regra pra buscar apto temporário em Madrid: Se possível visite antes de fechar o negócio! Preço médio de um apto legal: 50-80 Euros por dia com  tudo incluído (internet, limpeza, energia etc).

E para viver por mais tempo?

Aqui em Madrid as regras de aluguel não são muito diferentes do Brasil:
  • Geralmente o contrato mínimo é de um ano.
  • Se sair antes paga um mês de aluguel extra.
  • Aqui o inquilino paga o mês de agência – o que eu acho um absurdo…
  • E não se pede um fiador, mas pedem um ou dois meses de fiança - isso ajuda muito.



Eu que sou adepta dos sites de busca, e adoro procurar via Idealista

O site é muito bom, bem montado, com mapas, fotos, contatos, opção para favoritar ou descartar etc e tal, além de ter contatos de profissionais ou de particulares. Mas daí tem também a opção de ir diretamente numa mobiliária ou sair pelas áreas preferidas anotando os telefones pra ligar.

É difícil dizer qual é o preço médio do aluguel em Madrid. Depende muito da área, do tipo de apartamento e dos arredores. Diremos que eu moro em um apto de dois quartos, num bairro “Latino”, perto do metrô e do meu trabalho, e pago em torno de 700 euros de aluguel (incluindo condomínio).

“Ah, mas que caro!! No Brasil isso seriam 2100 reais!!” Meu filho ou minha filha… não adianta converter! Aqui as pessoas ganham em Euro, e eu juro que o custo de vida de Madrid é menor do que o de São Paulo, infinitamente.

Coisas que ninguém te conta:

A calefação:

A primeira vez que entrei no meu apto atual, fiquei tão maravilhada com tudo, que não vi que tipo de calefação tinha! E aí foi minha cagada número 1. A calefação da minha casa é elétrica, e a eletricidade custa una pasta, em torno de 200 Euros por mês no inverno... No melhor dos mundos a sua calefação tem que ser a gás, que é mais econômica, custa uns 70 Euros por mês no inverno, ou central – mas daí você pode assar ou congelar, dependendo da idade e da boa bontade dos seus vizinhos. Dica da semana: se só tiver velhinhos no prédio você vai assar…

As janelas:

Busque por algo assim!
 A Stela e o Dan adoram a luz do Sol. Então escolhemos um apto cheinhos de janelas e bem iluminado. Também não verifiquei a qualidade das janelas, e essa foi minha cagada número 2. As janelas de alumínio são mais simples e incapazes de segurar o calor, ou isolar o barulho da rua. O ideal são as janelas duplas ou janelas com vedação tipo Climalit. Agora somando a equação das cagadas temos: calefação cara + incapacidade de retenção do calor gerado = você se ferrou!!

Arredores:

Aqui é muito, mas muito normal, ter parquinhos pelos bairros. E nos parquinhos estão as criancinhas gritando e os adultinhos tomando cerveja e cantando alto. É pior do que churrasco com jogo de truco… No verão tudo isso acontece a 1h00 da madruga, portanto cuidado com a escolha da visão da sua janela do quarto. Adivinha o que tem bem debaixo do meu quarto? Sim, um parque desses... Cagada número 3.

Água:

Pagar água ou não depende do dono do apto. Eu não pago água aqui, mas geralmente precisa pagar. Não custa mais do quer 30 euros a cada dois meses, para uma casa duas pessoas.

Água quente:

Aqui tem água quente em todas as torneiras, inclusive na cozinha. Na sua casa pode ter água caliente central – na qual o proprietário paga (uhú) ou o seu calentador de água pode ser elétrico ou a gás. A melhor opção mais uma vez é a gás – pois esquenta a água enquanto se está usando. O elétrico tem uma capacidade X, e mantém um calor X – dá pra regular, mas é óbvio que se usar demais a água acaba e precisa esperar mais ou menos 1 hora pra usar água quente de novo. Adivinha qual tem aqui em casa?? Elétrica, claro – é caro e acaba!! Cagada número 4.

Mobília:

Aqui é muito fácil alugar uma casa mobiliada, e sinceramente eu não vejo muita diferença de preço! Mas é sempre bom dar uma revisada na mobília, pois o apto pode ser “o local onde estão os móveis da família que ninguém mais quer em casa”. Nesse quesito eu tive muita sorte (finalmente) – só troquei o sofá pois estava cheirando a cigarro, e sabia que a Stela faria sua arte de arranhação no tecido.  

De qualquer maneira, se tiver que comprar móveis, viva a Ikea! O bom é uma casa com a cozinha amueblada – já vem geralmente com fogão, geladeira e máquina de lavar roupas, que sim, fica na cozinha! Essa é uma das coisas que eu mais sofro e acho meio nojento – aqui é muito difícil encontrar um apto com “office” – que é o equivalente a uma área de serviço “seca” (sem tanque). E geralmente o varal fica “pra fora” ou é compartilhado com os vizinhos…

Orientação:

Eu sempre digo que Madrid é mais quente do que fria… o inverno é mais frio do que em certas regiões do Brasil, mas o verão é INSUPORTÁVEL! Aqui os donos sempre colocam a orientação do apto, que é pra saber onde o Sol bate. Se for Leste ou Norte significa que vai bater sol durante a manhã ou não vai ter Sol direto. Se for Oeste, vai bater Sol durante a tarde. Mas se for Sul FUJA do local – vai ter Sol o dia inteiro e você vai assar. Se não tiver jeito, veja se tem ar condicionado – você vai precisar…

Bairro:

Isso já é muito pessoal. Eu trabalho perto do final da Linha 5 e prefiro viver aqui perto. Leva uns 20 minutos pra chegar no centro e 10 pra chegar no aeroporto – o que pra mim é perfeito. Pra chegar no trampo eu não levo mais do que 10 minutos de metrô ou 30 minutos andando… e dormir 30 minutos a mais é amor>3.

Por aí tava bom...


Porém meu bairro (Quintana/Pueblo Nuevo) é conhecido como o bairro dos “Latinos” como comentei acima, e algumas pessoas não gostam daqui. Eu sinceramente gosto bastante porque já acostumei com o comércio e com os serviços dos arredores. Queria MUITO viver no centro, mas, como também comentado,  é mais caro e eu não sei se aguentaria ficar entre turistas o tempo todo. Se eu tivesse grana, moraria em Salamanca perto de Nuñez de Balboa. Pra mim é o bairro mais lindo de Madrid… Tem também os novos bairros que ficam mais “pra fora” da cidade, tem uns apartamentos em condomínios com piscina e etc. Mas isso significa depender do carro pra se locomover, e eu ainda não quero voltar a ter essa vida.

Espero que as dicas ajudem um futuro morador Madrileño, eu com certeza aprendi!

E boa sorte na nossa busca, porque olhaaa… agora a gente tá MUITO CHATO! hehehe


sábado, 9 de agosto de 2014

Camila e o Camboja...



Daí então meu chefe disse: “Você precisa ir ao Camboja”.


Minha primeira reação foi: “Aham, onde fica o Camboja?... O que se come no Camboja?”

Primeiramente minha ficha não caía, uma preocupação enorme com a distância e o tempo que eu passaria por lá. Seria a primeira vez que eu deixaria marido e gato sozinhos na Espanha… minha “eu” de 5 anos atrás não se importaria com isso, nem um pouco! Até arranjaria uma desculpa pra passar mais tempo turistando, afinal, quando é que eu teria outra oportunidade dessas de ir ao desconhecido?


Daí veio o pânico! Era a primeira vez que eu iria pra Ásia, pra um país sub-desenvolvido, com surtos de malária etc e tal. Afinal, o que tem no Camboja e o que as pessoas fazem por lá?

E como vou deixar o Dan ficar sozinho uma semana? E se eu tiver que ir num hospital? E se eu não entender a língua… e afinal o que eles comem??


Bom, como tudo deve ser feito, ao invés de pirar o cabeção, resolvi pesquisar sobre o assunto. E achei muita coisa que não sabia, nem esperava: Os templos de Angkor, o Khmer Vermelho e o genocídio, o cultivo do arroz, as aranhas fritas… Vi que muita gente ia pro Camboja para ver os templos onde filmaram Tomb Raider (!!) e é só. Gente que está pela Ásia e dá um rolé entre Tailandia e Vietnã (sim, é ali que o Camboja fica hehe)




E é claro, a Glória Maria também foi!!


Bom, eu passaria uma semana ali. Me preparei psicologicamente pra tudo. Teria metade de um domingo pra ir nos templos e o resto seria reuniões e visitas ao campo.


Foi legal? Foi no mínino interessante...

Mas, por que eu não gostei? 

1) Não gostei pelo mesmo motivo que não gosto do Nordeste Brasileiro (oooooh). Simplesmente os turistas vão lá, tem praia (no caso, tem os templos), é louco, é bonito, eu nunca vi isso na minha vida e custa muito barato! Só que as pessoas que vivem ali não aproveitam 1/10 disso! Vivem mal, sem infra estrutura, sem saúde, sem dinheiro… e os turistas estão tão emocionados com suas fotos que o resto vira detalhe. Pra mim não vira…
 
Angkor Wat visto de Phnom Bakheng

   2) No segundo dia começou a odisséia ao banheiro! Pra não ser mais clara… apesar de me cuidar, de tomar água mineral, de comer somente coisas cozidas e bla bla, no segundo dia eu havia adquirido algum tipo de ser vivo interno (uma ameba, de acordo com o dotô). Tive que chamar meu seguro internacional e me mandaram numa clínica fantástica no miolo de Battambang. Coisa que o resto das pessoas que vivem ali não tem acesso.
 3) Eles bem que tentam agradar os “westerns”, mas a desorganização geral da nação impede bons serviços. Os cambojanos nunca deixam um western em pé, sempre sorriem, dizem bom dia, e querem muito te ajudar! Mas na prática demorei 2 dias pra conseguir um táxi em um hotel 4 estrelas. E no meio da viagem ele dormiu! Sério…


Pois então amigos e amigas… esperei a semana passar enquanto trabalhava e ia ao banheiro. E ela passou! Eu sobrevivi, fiz meu trabalho, conheci gente muito boa, conheci gente esquisita, fui pra um lugar onde não pensaria nunca em ir. E não paguei pra isso! Também descobri que a comida é muito boa! Salvo que é arroz com porco até no café da manhã, e que as tarântulas estão em extinção… por isso não se come mais!


Arroz na província de Battambang


Foi esquisito pensar em “estou voltando pra casa” – quando na verdade estava indo pra Espanha e não pro Brasil.


Talvez tenha sido uma das primeiras vezes que senti que a Espanha é a minha casa. Ou somente é porque o meu novo “eu” sabe que minha casa é onde está a Teté ^^ e consequentemente, o Dan também!!



De boa, ronronando... :P




Meu conselho é: se você for pra um país desses, leia muito - nem que seja Wikipédia - e entenda por que o país é assim, por que não existem pessoas mais velhas do que 40 anos e por que tudo parece tão atrasado...



Os blogs e vídeos mais legais que eu vi e assisti sobre viagens ao Camboja:






terça-feira, 3 de junho de 2014

Crise? Uma visão pessoal e unilateral…



Frequento Madrid desde 2008. Sempre achei uma cidade cheia de vida, muita gente nas ruas, nos bares, felizes, bebendo, comendo, vivendo...

Conforme os anos foram passando, as pessoas nas ruas e nos bares diminuíram. Apareceram alguns pedintes, muita gente mendigando, vendendo coisinhas pequenas no metrô e pedindo ajuda.

2009, 2010, 2011: a crise, os protestos, o “paro” (que equivale a um seguro desemprego por tempo indeterminado), gente sem grana, gente sem emprego, artistas de rua, estabelecimentos fechando...

2013/2014: há pelo menos 5 anos vejo os mesmos pedintes, os mesmos artistas, as mesmas formas de falarem a respeito da crise. Me chama a atenção que são sempre os mesmos, me leva a pensar que isso se tornou o novo emprego – será que, se não desse dinheiro talvez eles não estivessem mais ali? Já teriam ido pra outro lugar? Tentariam outra coisa? Não sei, fica um pensamento e uma dúvida.

Os preços dos aluguéis baixaram, a qualidade dos serviçoes públicos diminuíram, a quantidade de desempregados aumentou.

Se alguém me pergunta o que eu acho dos serviços públicos de transporte ou de saúde, vou responder que são fenomenais! Simplesmente porque, para um brasileiro, qualquer serviço desses “mais ou menos bom”, já é algo que não temos e não vemos no Brasil. Mas aqui está mal, está sucateado (será?). É a crise...

Eu passei a viver aqui e a frequentar lojas, mercados, bares, procurar alguém pra limpar a minha casa. E me veio a seguinte interrogação: com tanta gente desempregada, ou “en paro”, como é que os serviços daqui sao TÃO RUIMS??? O que eu vejo DE VERDADE é muita gente encostada e sem vontade de trabalhar... me perdoem os bons, mas os maus são unanimidade!

A cozinha de alguns restaurantes fecha as 16h00:

“porque es así, vuelve a abrir a las 21h30!”

Não dá pra contratar outro cozinheiro? Tem gente na rua, tem turista de monte, que vai pro outro estabelecimento pra comer, e não só beber...

Fomos em um restaurante pela segunda vez, porque da primeira vez foi legal! Um franguinho com legumes, delícia! Domingão de Sol, o bairro La Latina estava cheio, gente esperando pra sentar. UM garçom atendendo:

“ya voy, ya voy...”

15, 20 minutos depois ele vem! Pedi meu franguinho! Wohooo! 45 minutos depois chega uma coisa beeem diferente da outra vez... Olá, por favor, esse é outro prato? E e o amigão me responde:

“es el mesmo... tia... tu no esperas comer la misma cosa siempre, no?”

Nãaaaao... espero ser bem atendida sempre, mas isso também não rola. Nao volto mais, nem levo mais ninguem, e ainda meto a boca no Foursquare!
Resolví contratar uma “chica para limpiar mi casa”. Pedi uma referencia, combinei por Whatsapp, tudo beleza. Chegou na minha casa, falou pro Dan:

“no me gusta eses trapos de limpieza, tampoco me gusta estes productos. Voy a comprar unas cosas más y ya regreso!”

Esperamos... 45 minutos, 1 hora... ligo e não me atende... mando uma mensagem e ela me responde:

“no vengo más, no me envíes más mensajes”

Crise? Verdade?

terça-feira, 8 de abril de 2014

O jeitinho brasileiro...

Li um texto no site da Exame e resolvi dissertar sobre o assunto... de leve! Me vi bastante envolvida nessas situações atualmente. 

Afinal, trabalhar com estrangeiros é igual trabalhar com brasileiro? Claro... que não!

Entre brasileiros já temos as famosas batidas de cabeça, e temos a mesma cultura... imagina alguém que foi criado do outro lado do oceano Atlântico?

Então aqui temos alguns hábitos do brasileiro que estrangeiros não entendem:

Rodear e rodear para, enfim, chegar ao ponto
O principal desafio do brasileiro ao lidar com outras culturas está, vejam só, na comunicação. E não é só uma questão de fluência em outro idioma. O que "pega" para os estrangeiros é a maneira como nos expressamos.  
"O brasileiro precisa explicar antes de chegar ao ponto e os anglo-saxões, em geral, vão direto ao ponto: falam primeiro o que querem e, depois, tecem uma conversinha conforme o que o outro pede".

Verdade mais do que a verdade, somente a verdade. 

Eu percebo isso enquanto falo com o chefe. 
Geralmente ele me corta e diz "é isso que você quer dizer?" e eu cheia dos dedos e dos vejabem que somos condicionados dar desculpas, desde pequenos. 

Assim como contar a história do "seu gato subiu no telhado"... 
Lembrem-se: na maioria das vezes eles não entendem sarcasmo!

Aí eu me pego dizendo finalmente "tenemos un marrón", mais conhecido como "deu merda!"



Link pro texto original aqui