sábado, 9 de agosto de 2014

Camila e o Camboja...



Daí então meu chefe disse: “Você precisa ir ao Camboja”.


Minha primeira reação foi: “Aham, onde fica o Camboja?... O que se come no Camboja?”

Primeiramente minha ficha não caía, uma preocupação enorme com a distância e o tempo que eu passaria por lá. Seria a primeira vez que eu deixaria marido e gato sozinhos na Espanha… minha “eu” de 5 anos atrás não se importaria com isso, nem um pouco! Até arranjaria uma desculpa pra passar mais tempo turistando, afinal, quando é que eu teria outra oportunidade dessas de ir ao desconhecido?


Daí veio o pânico! Era a primeira vez que eu iria pra Ásia, pra um país sub-desenvolvido, com surtos de malária etc e tal. Afinal, o que tem no Camboja e o que as pessoas fazem por lá?

E como vou deixar o Dan ficar sozinho uma semana? E se eu tiver que ir num hospital? E se eu não entender a língua… e afinal o que eles comem??


Bom, como tudo deve ser feito, ao invés de pirar o cabeção, resolvi pesquisar sobre o assunto. E achei muita coisa que não sabia, nem esperava: Os templos de Angkor, o Khmer Vermelho e o genocídio, o cultivo do arroz, as aranhas fritas… Vi que muita gente ia pro Camboja para ver os templos onde filmaram Tomb Raider (!!) e é só. Gente que está pela Ásia e dá um rolé entre Tailandia e Vietnã (sim, é ali que o Camboja fica hehe)




E é claro, a Glória Maria também foi!!


Bom, eu passaria uma semana ali. Me preparei psicologicamente pra tudo. Teria metade de um domingo pra ir nos templos e o resto seria reuniões e visitas ao campo.


Foi legal? Foi no mínino interessante...

Mas, por que eu não gostei? 

1) Não gostei pelo mesmo motivo que não gosto do Nordeste Brasileiro (oooooh). Simplesmente os turistas vão lá, tem praia (no caso, tem os templos), é louco, é bonito, eu nunca vi isso na minha vida e custa muito barato! Só que as pessoas que vivem ali não aproveitam 1/10 disso! Vivem mal, sem infra estrutura, sem saúde, sem dinheiro… e os turistas estão tão emocionados com suas fotos que o resto vira detalhe. Pra mim não vira…
 
Angkor Wat visto de Phnom Bakheng

   2) No segundo dia começou a odisséia ao banheiro! Pra não ser mais clara… apesar de me cuidar, de tomar água mineral, de comer somente coisas cozidas e bla bla, no segundo dia eu havia adquirido algum tipo de ser vivo interno (uma ameba, de acordo com o dotô). Tive que chamar meu seguro internacional e me mandaram numa clínica fantástica no miolo de Battambang. Coisa que o resto das pessoas que vivem ali não tem acesso.
 3) Eles bem que tentam agradar os “westerns”, mas a desorganização geral da nação impede bons serviços. Os cambojanos nunca deixam um western em pé, sempre sorriem, dizem bom dia, e querem muito te ajudar! Mas na prática demorei 2 dias pra conseguir um táxi em um hotel 4 estrelas. E no meio da viagem ele dormiu! Sério…


Pois então amigos e amigas… esperei a semana passar enquanto trabalhava e ia ao banheiro. E ela passou! Eu sobrevivi, fiz meu trabalho, conheci gente muito boa, conheci gente esquisita, fui pra um lugar onde não pensaria nunca em ir. E não paguei pra isso! Também descobri que a comida é muito boa! Salvo que é arroz com porco até no café da manhã, e que as tarântulas estão em extinção… por isso não se come mais!


Arroz na província de Battambang


Foi esquisito pensar em “estou voltando pra casa” – quando na verdade estava indo pra Espanha e não pro Brasil.


Talvez tenha sido uma das primeiras vezes que senti que a Espanha é a minha casa. Ou somente é porque o meu novo “eu” sabe que minha casa é onde está a Teté ^^ e consequentemente, o Dan também!!



De boa, ronronando... :P




Meu conselho é: se você for pra um país desses, leia muito - nem que seja Wikipédia - e entenda por que o país é assim, por que não existem pessoas mais velhas do que 40 anos e por que tudo parece tão atrasado...



Os blogs e vídeos mais legais que eu vi e assisti sobre viagens ao Camboja:






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